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Cubatão

Localização

Cubatão situa-se na latitude 23º 50' a 23º 55' Sul e na longitude 46º 30' Oeste de Greenwich. Ocupa uma área de 148 quilômetros quadrados e situa-se a 57 km da capital paulista e a 16 km de Santos ou São Vicente. Dista aproximadamente 25 km de São Bernardo do Campo e Santo André (tendo como ponto de referência os limites municipais). Limita-se com os municípios de São Bernardo do Campo, Santo André, Santos e São Vicente.

Limites

1) Com o Município de São Bernardo: começa com o Rio dos Pilões na foz do ribeirão Passareuva, segue pelo contraforte fronteiro até o aparado da Cordilheira do Mar ou Paranapiacaba, segue pelo aparado da cordilheira que aí tem o nome local de Serra do Cubatão até cruzar com o divisor entre as águas do Rio Perequê, à esquerda, e as do Rio Pequeno, à direita.
2) Com o Município de Santo André: começa no aparado da cordilheira do Mar, onde tem o nome local de Serra do Cubatão no ponto de cruzamento com o divisor entre as águas do Rio Perequê e as do Rio Pequeno; segue pelo aparado da cordilheira que recebe os nomes locais de Serra do Poço, do Meio e de Mogi até encontrar a reta de rumo Sul-Norte que vem da foz do córrego da Terceira Máquina da Linha Velha, para Santos, da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, segue por esta reta até a Serra do Morrão.
3) Com o Município de Santos: começa no alto da Serra do Morrão, onde esta é atingida pela reta de rumo Norte-Sul que vem da foz do Córrego da Terceira Máquina, segue pela crista da serra à foz mais oriental do Rio Mogi, depois de deixar, à direita, a água do Curtume da Tapera, desce pelo braço do mar que passa a Leste do Morro Casqueiro até o Largo do Caneu, pelo eixo do Largo continua até atingir o braço chamado Rio casqueiro, pelo qual desce até o Largo da Pompeba e por esta ainda até a foz do Rio dos Bugres.
4) Com o Município de São Vicente: começa na foz do Rio dos Bugres, no Largo da Pompeba, continua pelo leito deste, passando ao Norte da ilha do mesmo nome, até a foz do Rio Santana, sobe por este até a foz do Córrego da Mãe Maria, sobe por este até sua cabeceira mais setentrional, segue em reta até a foz do Ribeirão dos Pilões, no Rio Cubatão, sobe por aquele até a foz do Ribeirão Passareuva, onde tiveram início estes limites.

Topografia

A altitude máxima é atingida na Serra do Mar, com 700 metros e a mínima (média) na planície é de 3 metros.

A região é formada por duas províncias geomórficas: a área serrana, compreendendo escarpas e piemonte. e área de planícies, compreendendo morros isolados e planície. Os tipos de solo encontrado são Associação Campos do Jordão e Litosolfase substrato granito gnaisse, associação Podsol Hidromórficos e Solos Hidromórficos.

1) Área Serrana: compreende uma fração do grandioso sistema de escarpas e montanhas que se estende desde o estado do Rio de Janeiro até a porção setentrional do estado de Santa Catarina e corresponde à borda do chamado Planalto Atlântico.

A escarpa: bloco de rochas cristalinas, originado de falhas tectônicas, domina as planícies litorâneas por desnível de cerca de 800 metros. Na área, com o nome local de Serra de Cubatão, ela se desdobra em patamares inferiores, isolados do bloco principal pelos vales dos rios Cubatão e Mogi, que se dispõem em forma característica de "pinças de caranguejo". Esse desdobramento da escarpa, aliado ao seu rebaixamento e recuo, deu margem a seu aproveitamento pelas vias de circulação.

O piemonte: os vales dos rios Cubatão e Mogi não deveriam se enquadrar em área de piemonte, uma vez que, parcialmente, correm dentro do próprio maciço montanhoso. Esses vales, responsáveis pelas "pinças de caranguejo", são em grande parte responsáveis pelas mais extensas planícies de aluvionamento fluvial da área e se dispõem também em faixa de piemonte. A essas planícies de aluvionamento fluvial acrescenta-se outro elemento: os depósitos de piemonte acumulados pelo Rio das Pedras, que se abrem em leque compostos por seixos de gnaisses e xistos.

2) Área de Planície: antiga baía, com várias ilhas, correspondendo a fragmentos cristalinos isolados da grande frente de falha e rebaixados por erosão, que foi invadida pelo mar, para a seguir ir sendo entulhada por sedimentos. A progressiva sedimentação da paleo-baía é atestada pela presença na atual planície de cordões arenosos, que corresponderiam a antigos depósitos marítimos. A Baixada Santista, assim, se origina de um antigo lagamar colmatado, onde a pequena declividade resulta na complexa rede de drenagem que a caracteriza.

Os morros isolados: compostos de rochas cristalinas, eqüivalentes aos antigos blocos falhados e rebaixos, que no passado constituíam ilhas. São esparsos pela Baixada ou incrustados em áreas urbanizadas. Esses morros isolados são poucos.

A planície: composta por depósitos marítimos (mangues), fluviais (brejos) ou por antigos depósitos de areia de origem marítima, constitui a maior parte da área considerada.

Clima

O clima predominante em Cubatão é o tropical com suas variações quente e úmido. Verifica-se também a existência de variações climáticas de acordo com as características geográficas do relevo, como o clima da serra, o clima das áreas industrializadas, do sopé da serra e dos manguezais.

Nos terrenos baixos e planos, cobertos de mangue, impera o forte calor que produz grande evaporação. Na encosta da Serra do Mar, onde chegam a se condensar os ventos marítimos, cheios de umidade, tem-se fortes precipitações constantes.

A umidade relativa do ar é superior a 80%, o que se coaduna com a alta taxa pluviométrica: média anual de 2.541 mm. A temperatura é variável, constatando-se 36º C como média das temperaturas máximas e 12º C como média das temperaturas mínimas (N.E.: o controle dos fatores de poluição que geraram a alcunha Vale da Morte provocou alterações climáticas sensíveis, inclusive na redução da temperatura máxima local).

A pluviosidade mínima registrada nos dias com pequenas precipitações é de 1 mm.

Em função das características geofísicas do relevo, verifica-se a ocorrência de variedades climáticas, ou microclimas:

1) Clima da serra: a escarpa funciona como verdadeira barreira climática, acarretando a condensaçao da umidade, em forma de nuvens, neblina ou cerração. A elevada umidade favoreceu o desenvolvimento de rica cobertura florestal e, devido à altitude, a temperatura ali é mais baixa 2 a 3º C em relação à planície;
2) Clima dos vales: caracterizado pelas formações intensas de nevoeiros e alterações da temperatura através da atuação de brisas ascendentes e descendentes;
3) Clima das áreas industrializadas do sopé da serra: a poluição do ar, provocando a condensação da umidade atmosférica, faz com que, conforme o estado hidrométrico e a temperatura do ar, formem-se névoas úmidas e secas; as temperaturas aí são sempre mais elevadas que na faixa praiana, devido à ausência de brisas;
4) Clima dos manguezais: não sendo estas áreas atingidas por brisas, o clima se torna relativamente mais quente. Devido à decomposição orgânica e à evaporação marinha, o ar ali é bastante impregnado de amoníaco;
5) Clima dos morros: estando esta área exposta mais diretamente aos ventos prevalecentes, pode ter atenuadas as suas altas temperaturas; isso, entretanto, pode também acentuar as baixas temperaturas, como ocorre nos vales;
6) Clima da orla litorânea: apresenta-se com maior teor de cloreto de sódio no ar atmosférico. O clima ali é dos mais agradáveis, graças à ação das brisas marítimas que atenuam o calor. O clima é afetado pela atuação dos ventos dominantes, como o do quadrante Noroeste (quente, produzindo efeitos fisiológicos, como irritabilidade e depressão) e Sudoeste (violento, podendo ser acompanhado de temporais).

Hidrografia

Devido à proximidade da Serra do Mar, os rios que banham Cubatão são curtos e torrenciais. Como quase não há declividade na planície sedimentar que separa a Serra do Mar do litoral, o processo de aluvionamento é muito grande. Como conseqüência, temos a formação de meandros (parte sinuosa do rio) que resultam do duplo trabalho de erosão e acumulação das águas fluviais e de mangues. É difícil distinguir meandros de braços de rios ou de canais marítimos, que se formam dentro dos lagos.

Podem ser definidos dois tipos de rios: em primeiro lugar, os que têm em comum o fato de suas nascentes serem na Serra do Mar e de possuírem vales que são sulcos importantes a separarem esporões. São rios que nascem torrenciais e se tornam, vencida a escarpa, rios de planície, responsáveis pela grande sedimentação fluvial que dificulta o escoamento das águas, dando então a formação de meandros, furados e dos manguezais. Exemplos desse tipo de rio são o Cubatão e o Mogi.

O segundo tipo compreende os rios de pequeno curso, praticamente de planície. Exemplos: rios Casqueiro, Cascalho, Mourão, Onça e outros. Esses rios percorrem trechos montanhosos, recebendo chuvas violentas, e, duas vezes por dia (em decorrência da maré), suas partes mais baixas entram em contato direto com a água salobra.

A Bacia do Cubatão tem uma área aproximada de 177 km². Os rios do extremo Leste são Mogi, Perdido e Piaçagüera, e em seu conjunto abrangem uma área de bacia da ordem de 52 km². Os rios são de caráter torrencial, apresentando enchentes de curta duração e pico acentuado. Destacam-se os seguintes rios:

Rio Cubatão: o mais importante da região, cuja bacia situa-se entre a Grande São Paulo e a Baixada Santista, na vertente atlântica da Serra do Mar. Circunda o estuário de Santos e deságua na mesma cidade através de vários canais de tipo déltico dentro do mangue. O Rio Cubatão passa a banhar o município após receber, à margem esquerda, o Rio Pilões e a vazante da foz do rio Passareúva pertencente ao Município de Cubatão. São afluentes da margem esquerda o Rio das Pedras e o Perequê;todos os afluentes da margem esquerda descem a Serra do Mar. O Rio Capivari é considerado o principal afluente da margem direita.
Rio Mogi: nasce a Nordeste de Cubatão, sendo chamado também de Ururai, e se prolonga quase até a parte central do município. Tem como afluente da margem direita o Córrego da Terceira Máquina. Corre na direção Sudoeste, no vale formado de um lado pelas serras do Meio e Mogi de um lado e do outro pela Serra do Morrão. As águas dos rios Cubatão e Mogi, ao atingirem a baixada do litoral, se misturam formando o mangue e correm para os largos São Vicente, Pompeba e Caneu.
Rio Santana: nasce no Morro Marzagão, dois quilômetros a Oeste da cidade de Cubatão, e recebe, à margem direita, o Rio dos Queirozes, que também nasce no mesmo morro. Uma das ilhas formadas pelo mangue é a Ilha de Santana, sendo formada pelos braços do rio do mesmo nome. Os afluentes do Rio Santana são: Rio Branco e Rio dos Moços.
Rio dos Queirozes: tem como afluente, à margem direita, o Córrego de Mãe Maria.
Córrego de Mãe Maria: nasce no morro do mesmo nome e banha o município somente pela margem esquerda.
Córrego da Terceira Máquina: deságua na margem direita do Rio Mogi.
Rio Vapevu: no mangue, deságua próximo aos largos da Pompeba e São Vicente.
Rio Casqueiro: une os largos da Pompeba e Caneu.

Outros rios do município: Perdido, Cascalho, Paranhos, Perequê, Pequeno, Mourão, Onça e Piaçagüera. São ainda importantes, por figurarem nas delimitações municipais: Ribeirão Passareúva, Curtume da Tapera e rio dos Bugres.

Vegetação

No município podem ser encontrados três tipos de vegetação:

a) Vegetação dos brejos de água doce: típico de regiões invadidas pelas águas dos rios e dos riachos na época das chuvas. Encontram-se ervas de muitas qualidades, gramíneas formando prados e florestas baixas, onde aparecem o ipê de brejos e outras espécies.
b) Vegetação do mangue: compreende na região da Baixada Santista uma área de 100 km², excluindo-se as zonas devastadas. São poucos os vegetais que sobrevivem nessas condições ambientais devido ao baixo teor de oxigênio e pouca consistência do solo. Aparecem freqüentemente vegetais com raízes muito desenvolvidas, para a sustentação da planta. No manguezal, durante a maré alta, vê-se praticamente só as copas das árvores e arbustos. Durante a maré baixa, vê-se emaranhados das raízes escoras e pneumatóforos. Em Cubatão, as áreas cobertas pelos manguezais foram devastadas, drenadas e usadas para o plantio e mais tarde para a construção de casas modestas e até mesmo de alto padrão.
c) Vegetação das escarpas da serra e dos morros: corresponde à Mata Tropical, que é rica em espécies vegetais com predomínio das árvores de grande porte. Destacam-se entre as árvores: embaúba-preta, araúba, amarelinho, quaresmeira. A quaresmeira é também chamada quaresma, manacá-da-serra e jacatirão. É citada constantemente nos livros de Afonso Schmidt inspirados em Cubatão. Aparecem também as trepadeiras, as ervas e as epífitas. Essa vegetação foi muito devastada nos morros para exploração das pedreiras ou substituída pelos bananais e ainda, no passado, para a obtenção de lenha. Nas últimas décadas, a vegetação sofreu muito através das invasões das encostas da Serra do Mar.

Demografia

O crescimento populacional no município tem sido contínuo, estimulado inclusive pelo afluxo de imigrantes que chegam em busca de trabalho nas empresas locais. Estes números foram obtidos na Secretaria de Economia e Planejamento do Governo do Estado de São Paulo, na Prefeitura Municipal de Cubatão, no Arquivo Histórico do Município e no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e consolidados por Novo Milênio:

Ano População Densidade *
1940 6.570 44,39
1950 11.803 79,75
1960 25.166 170,04
1970 50,906 345,64
1980 84.462 570,69
2000 107,904 729,08

* Densidade demográfica: habitantes por km² (em 148 km²)

Em 1996/2000, o crescimento anual da densidade demográfica foi de 2,63%.

Fonte: BORGES, W.R.;BRAGA JR., J.C.; TORRES, F.R.. "O que você precisa saber sobre Cubatão". Cubatão: Design & Print (com apoio do Arquivo Histórico Municipal de Cubatão), 2002.