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Maneco partiu!27/10/2018

Lamentamos profundamente informar o falecimento, na noite desta sexta-feira (26), do jornalista Manuel Alves Fernandes, o Maneco, reconhecido como cidadão cubatense e um dos mais queridos na comunidade. Por incontáveis décadas, ele foi o correspondente local do jornal santista A Tribuna. Acompanhou todos os detalhes das atividades políticas e econômicas da região, destacando-se recentemente na editoria do caderno semanal "Indústria". Foi um exemplo marcante para o jornalismo regional, pelo seu engajamento em inúmeras campanhas de interesse da comunidade.
 
Ele foi um dos jornalistas que cobriram a tragédia da Vila Socó, em fevereiro de 1984, mesmo ano em que iniciou a publicação da série de reportagens "Roteiro da insegurança" em que abordou - junto com o colega Lane Valiengo - os riscos a que estavam expostos os habitantes da Baixada Santista.
 
Realizou outras grandes reportagens investigativas sobre temas como a poluição, celebrando quando o município começou em 1992 a ganhar destaque internacional pela recuperação ambiental - reconhecimento que muito se deveu ao seu trabalho.
 
Participou ativamente da Agenda 21 - Cubatão 2020, em que foram debatidos os rumos do município e as propostas da comunidade para o seu desenvolvimento. "Quem visita a indústria cubatense se surpreende de ver que algumas delas são verdadeiros jardins. Não são jardins, mas fábricas transformadas em lugares agradáveis e produtivos. A cidade tem de ser a mesma coisa. Temos de tirar proveito de impostos, tributos e empregos, e ter a possibilidade de transformar a cidade em um jardim", comentou em 2012, referindo-se ao processo de desenvolvimento sustentável que Cubatão ensinou a todos os povos ser viável, quando o mundo mal começava a conhecer o significado do termo sustentabilidade e a acordar para a necessidade da conscientização ambiental.
 
Também recuperou e divulgou muitas das histórias que compõem a História de Cubatão, nos cadernos especiais publicados anualmente em "A Tribuna" pelo aniversário da cidade.
 
De origem portuguesa - nasceu em São Martinho de Mouros, Viseu, em 26 de abril de 1945 -, batalhou pela comunidade luso-brasileira cubatense, sendo um dos fundadores da Associação Luso Brasileira de Cubatão (Alubrac), em 2006. De seu trabalho, junto com outros companheiros, resultou a oficialização (em 30 de março de 1983) da Praça Portugal, bem como a criação do monumento ao poeta Luiz Vaz de Camões e o início das agora tradicionais comemorações anuais.
 
Em junho deste ano, discursando na Câmara pelo Dia de Portugal e das Comunidades Lusófonas, Maneco surpreendeu o público, ao saudar os convidados e as autoridades, chamando-os apenas pelos sobrenomes. Depois explicou: "Foi para mostrar ques são todos descendentes dos que se estabeleceram aqui desde o início da História do Brasil e ajudaram a construir a cidade".
 
Com fino senso de humor, educado como verdadeiro cavalheiro, sabia conquistar a confiança dos entrevistados em função de seu profissionalismo e de sua dedicação: trabalhou até o último dia no jornalismo.
 
O prefeito Ademário Oliveira declarou luto oficial por um dia em homenagem ao Maneco, que teve atendido um antigo desejo, de ser velado em dependências da Câmara Municipal, junto dos incontáveis amigos que fez na cidade. O velório tem previsão de início às 7 horas deste sábado.

Texto: Carlos Pimentel Mendes - MTb 12.283

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