...

3º dia do Simpósio das Cidades Brasileiras aborda saúde e justiça socioambiental, na manhã desta sexta (21)

Especialistas compartilharam experiências e propostas que relacionam arborização, mudanças climáticas, saúde urbana e educação ambiental à promoção da equidade territorial
  • 8 min de leitura

O terceiro, e último dia, do Simpósio das Cidades Brasileiras – Árvores do Mundo apresentou o eixo 4 do ciclo de debates: Justiça socioambiental, saúde urbana e equidade territorial, no período da manhã desta sexta-feira (21), no Bloco Cultural. A solenidade de abertura contou com a participação da Banda Marcial Jovem e o Corpo Coreográfico, da Associação dos Amigos da Banda Marcial de Cubatão (Asabamc). O grupo iniciou a programação com Hyde Park, música-tema de abertura do Esporte Espetacular, da TV Globo. Depois, entoou os hinos Nacional e de Cubatão.

A presidente da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), Ana Lícia Patriota, entregou o Prêmio Arborito 2026 ao biólogo e professor doutor em Ecologia e Recursos Naturais Fernando Periotto. A honraria é concedida pela SBAU que reconhece pessoas, projetos, pesquisas e gestores públicos que se destacam pela contribuição relevante ao plantio de árvores, à inovação verde e às políticas públicas voltadas à sustentabilidade e ao verde nas cidades.

Em seguida, a mesa de debates do eixo 4 foi mediado pela vice-prefeita e secretária de Habitação Andrea Castro. O objetivo foi discutir arborização como determinante social de saúde, redução de desigualdades socioambientais e climáticas, planejamento verde em territórios vulneráveis e áreas industriais, participação social, educação ambiental e inclusão produtiva. O prefeito de Cubatão, César Nascimento, também acompanhou as discussões abordadas no encontro.

Participaram a médica sanitarista Maria Giovana Fortunato, graduada em saúde coletiva pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e primeira-dama de Campinas; engenheiro florestal Charles Coelho, CTO e co-founder da Arboran, startup especializada em gestão e soluções para árvores urbanas, mestre pela Universidade Regional de Blumenau (FURB); professor doutor de Ciências Ambientais na Universidade Estadual Paulista (UNESP) Pedro Henrique Campello Torres, cientista do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) e coordenador técnico do Plano Comunitário de Risco e Adaptações (PCRA) do bairro São Manoel (em Santos).

Também teve a participação do professor associado do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), graduado em Física Matemática pela Universidad Nacional de San Antonio Abad del Cusco no Peru, mestre e doutor em Engenharia Elétrica pela Poli-USP, com pós-doutorado em Química Fundamental e livre-docência em Engenharia Elétrica pela USP.

E mais: o médico infectologista Evaldo Stanislau, mestre e doutor pela Faculdade de Medicina da USP, graduado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, do Centro Universitário Lusíadas, docente e coordenador-médico do curso de Medicina da Universidade São Judas (USJT) campus Cubatão; Géviton Rafael da Silva Pimenta, secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Cuité, na Paraíba; professora Danielle de Souza, secretária municipal de Educação de Cubatão, pós-doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Maria Giovana apresentou o projeto de microflorestas urbanas desenvolvido em Campinas, com foco na redução das ilhas de calor e na promoção da equidade territorial. Charles Coelho abordou a arborização com equidade e a importância de considerar as necessidades de cada território nas decisões públicas. Pedro Torres destacou o plantio comunitário e a participação dos moradores, especialmente nas periferias, enquanto Walter apresentou experiências de monitoramento da qualidade da água por meio de tecnologia, satélites e inteligência artificial. Géviton Pimenta compartilhou iniciativas de arborização urbana, recuperação da vegetação nativa da Caatinga e educação ambiental.

O médico infectologista Evaldo Stanislau trouxe dados sobre a relação entre mudanças ambientais e saúde na Baixada Santista. Segundo o estudo apresentado, todos os municípios da região registraram aumento médio de um grau na temperatura, indicando que o aquecimento é um fenômeno regional. Em Cubatão, houve aumento de 0,88 ponto percentual por década na área verde, resultado que, embora não tenha apresentado relação estatisticamente significativa com a temperatura superficial, reforça a hipótese de que a vegetação urbana pode contribuir para a proteção térmica e a qualidade do ar. Evaldo também destacou os impactos das ondas de calor e do aumento das temperaturas sobre a saúde, incluindo o agravamento de doenças cardiovasculares e pulmonares e a maior ocorrência de enfermidades associadas à proliferação do Aedes aegypti, como a dengue.

Encerrando a mesa, a secretária municipal de Educação de Cubatão destacou a importância de envolver crianças e jovens na construção de uma cidade sustentável. Danielle ressaltou que a educação ambiental deve aproximar os estudantes da natureza e do território onde vivem. Para a secretária, garantir o contato com os manguezais, parques e áreas verdes é também uma forma de promover justiça socioambiental, especialmente em uma cidade marcada pela história industrial. “Promover justiça socioambiental é garantir que cada criança de Cubatão vivencie a natureza, domine a ciência e lidere a construção de uma cidade sustentável”, declarou a titular da Seduc.

Sobre o encontro – o 2º Simpósio das Cidades Brasileiras – Árvores do Mundo, do Tree Cities of The World, no Bloco Cultural, é organizado pelo Tree Cities of World (Cidades Árvores do Mundo), que envolve a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Arbor Day Foundation. Conta também com o apoio e a parceria da Cidade de Cubatão, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-estar Animal (Semam-SCBem).

O eixo temático Tree Cities of The World Conectando as cidades brasileiras – trata-se de um encontro técnico-científico de abrangência nacional que reúne gestores públicos, especialistas, setor privado, academia e sociedade civil de todo o Brasil e internacionais para discutirem o papel da arborização urbana como infraestrutura estratégica para cidades mais resilientes, sustentáveis e inclusivas. A programação seguiu até a tarde desta sexta-feira (21), no Bloco Cultural, com o eixo 5 – Biodiversidade, conectividade ecológica e serviços ecossistêmicos urbanos. Vale ressaltar que a programação deste sábado (22), os eventos satélites, foram cancelados devido às condições climáticas, já as atividades eram ao ar livre, como passeio de catamarã, visita ao Itutinga-Pilões, entre outras.

De acordo com a organização do evento, o objetivo foi promover a troca de experiências, apresentação de soluções baseadas na natureza e fortalecimento de políticas públicas voltadas à adaptação às mudanças climáticas, com foco em governança climática, justiça socioambiental e inovação territorial. A programação integra conhecimento técnico, vivências territoriais e atividades culturais.

Tree Cities of the World – é um programa internacional liderado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, de Food and Agriculture Organization) e pela Arbor Day Foundation. No Brasil, conta com a parceria da SBAU. A iniciativa reconhece e conecta municípios comprometidos com a gestão, o plantio e a preservação do verde urbano. O selo deste programa destaca cidades ao redor do mundo que adotam práticas eficazes de manejo de florestas naturais e urbanas que valorizam o papel das árvores na promoção da qualidade de vida dos habitantes. A iniciativa fornece uma estrutura para um programa de silvicultura urbana saudável e sustentável para os locais contemplados, com benefícios substanciais.

Cubatão recebeu o reconhecimento junto ao Tree Cities of the World em 2025 e também este ano. O selo destaca cidades ao redor do mundo que adotam práticas eficazes de manejo de florestas naturais e urbanas que valorizam o papel das árvores na promoção da qualidade de vida dos habitantes. A entrega do certificado de 2026 foi realizada na tarde de quarta-feira (19), como parte da programação do simpósio.

Mudança do Clima – previsão de pancadas de chuva e ventos fortes – No final da  tarde dessa sexta-feira (21), a Semam-SCBem informou que, por medida de segurança, os eventos externos deste sábado, considerados Eventos Satélites pelos organizadores e que faziam parte da programação, foram cancelados devido à previsão de condições meteorológicas desfavoráveis à realização das atividades/passeios. A previsão é da Defesa Civil do Estado e comunicada pela Defesa Civil de Cubatão.

 

Texto: Secom Cubatão/MA

Fotos: Secom Cubatão/T.Jr.