O município de Cubatão registrou no primeiro trimestre de 2026 o menor índice de mortalidade infantil em cinco anos, chegando a 8 óbitos por mil nascidos vivos. O índice de 2021 (6,43), assim como outros indicadores, foi afetado pela pandemia de covid-19, tanto pelas consequências do isolamento social quanto por razões clínicas, sendo assim atípico em relação ao histórico do município desde 2014, com marcas de dois dígitos, entre 12,32 e 23 óbitos por mil nascidos vivos.
Confira a tabela abaixo:
| Ano | Coeficiente de mortalidade infantil (por mil nascidos vivos) |
| 2014 | 14,7 |
| 2015 | 18,30 |
| 2016 | 14,91 |
| 2017 | 13,58 |
| 2018 | 12,32 |
| 2019 | 14,12 |
| 2020 | 10,04 |
| 2021 | 6,43 (índice afetado pela 1ª onda da covid-19 em 2020) |
| 2022 | 14,17 |
| 2023 | 23 |
| 2024 | 13,1 |
| 2025 | 16,8 |
| 2026 | 8 (até abril) |
A marca do primeiro quadrimestre de 2026 reflete o trabalho intensivo realizado pela Secretaria de Saúde, com atualização de protocolos, formação permanente das equipes, visitas in loco, criação de estratificação de risco no pré-natal. “Hoje conseguimos baixar o índice após quase dois anos. É a primeira vez que baixamos para um dígito”, ressalta a enfermeira-chefe do Serviço de Atenção Integral à Saúde da Mulher (SAISM), Andréa Aragão. O índice do primeiro trimestre também aproxima Cubatão da média nacional, cujo último índice disponível, de 2024, foi divulgado pela Unicef em março, com 7 mortes por mil nascidos vivos.
Trigêmeas – Um exemplo do trabalho foi o nascimento de trigêmeas no Hospital Municipal de Cubatão em 3 de março. Mas o atendimento à família começou bem antes, quando foi constatada a gestação trigemelar durante o pré-natal da Unidade de Saúde do Jardim Casqueiro. O caso foi encaminhado ao SAISM e o acompanhamento médico e multidisciplinar passou a ser realizado nas duas unidades, com bastante atenção e cuidado, por se tratar de uma gestação de alto risco.
Luísa nasceu às 16h49, pesando 1,625 kg; Lara nasceu às 16h50, com 1,535 kg; e Lorena nasceu às 16h52, com 1,156 kg. Inicialmente, as bebês foram encaminhadas para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, devido ao nascimento prematuro. A permanência das bebês na UTI neonatal foi decisiva para a evolução clínica e contou sempre com a presença dos pais sempre que possível. Luísa recebeu alta da UTI no dia 21 de março, Lara foi para o quarto no dia 23 e Lorena foi liberada para ficar com as irmãs no dia 4 de abril.
“Podemos afirmar a seriedade do cuidado com as gestantes que é desenvolvido pelas equipes da Secretaria de Saúde. Chegar a esse índice é fruto de planejamento e muito trabalho”, destaca o prefeito de Cubatão, César Nascimento.
Novos Métodos Contra a Mortalidade – A secretária de Saúde, Joyciene Montes, afirma que o município trabalha agora para manter o nível nesse patamar. “O ano está apenas começando. Vamos trabalhar com todo o empenho para chegar ao fim de 2026 com índices melhores que os do ano anterior”.
Para atingir esse objetivo, Cubatão conta dois novos dispositivos para combater a mortalidade infantil, a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) em gestantes, que entrou no Programa Nacional de Imunizações (PNI) em dezembro de 2025, e a aplicação do nirsevimabe em bebês prematuros e crianças com comorbidades, um anticorpo monoclonal que também protege contra o VSR, um dos principais responsáveis por bronquiolite, pneumonia, internações em UTI pediátrica e complicações respiratórias em menores de um ano de idade.
Desde 10 de dezembro até 27 de abril, 562 gestantes já se imunizaram contra o VSR. A estimativa é de que vivem em Cubatão entre 750 e 770 mulheres com gestação a partir da 28ª semana, momento adequado para receber a vacina. A aplicação do nirsevimabe começou em 13 de dezembro e, até o momento, houve 37 aplicações, inclusive entre crianças nascidas desde setembro do ano passado.
Estudos internacionais demonstram que o nirsevimabe pode reduzir em até 70% a 90% as hospitalizações por VSR em lactentes, além de diminuir significativamente os casos graves. Já a vacina estimula a produção de anticorpos na gestante, que são transferidos para o bebê ainda durante a gestação, garantindo proteção desde o nascimento. Estudos clínicos demonstram que essa estratégia pode reduzir em cerca de 50% a 70% os casos graves de VSR e hospitalizações em bebês nos primeiros meses de vida.
A secretária destaca ainda a incorporação do contraceptivo implanon pelo SUS em 2025 como um novo fator que pode incidir sobre os índices da mortalidade infantil por meio do planejamento familiar. O Implanon está disponível para adolescentes e mulheres com vida sexual ativa abrangendo a faixa etária entre 14 e 49 anos. Até o momento, já foram realizados 1.037 implantes no município.
Ações – Cubatão reestruturou todo o trabalho de combate à mortalidade infantil no início de 2023, quando foi detectado alta nos primeiros meses do ano, chegando a 29,11. A Secretaria de Saúde atuou imediatamente e deu início ao Plano de Ação para Redução da Mortalidade infantil e Sífilis Congênita com o objetivo principal de aumentar o número de consultas de pré-natal, tendo por prioridade a identificação de casos de gestação de risco e a busca ativa de faltosas às consultas. Outros objetivos eram ampliar a cobertura vacinal de crianças até 1 ano e aumentar a proporção de gestantes com atendimento odontológico e com exames de HIV e hepatites.
Os primeiros resultados apareceram ainda em 2023, com o índice caindo para 23 mortes por mil nascidos vivos ao final do ano. Conforme o ranking da Saúde Pública do Ministério da Saúde, a proporção de crianças de até 1 ano de idade vacinadas subiu de 58% no 1º quadrimestre de 2023 para 63% no terceiro quadrimestre de 2023 e não parou de subir, chegando a 83% no primeiro quadrimestre de 2024, 87% no segundo quadrimestre de 2024, 84% no terceiro quadrimestre de 2024 e 88% no primeiro quadrimestre de 2025. O índice se refere às vacinas contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, infecções causadas por Haemophilus Influenzae tipo b e poliomielite inativada.
A proporção de gestantes com pelo menos seis consultas realizadas de pré-natal, sendo a primeira até a 12ª semana de gestação, estava em 12% nos primeiros quatro meses de 2023, chegou a 30% no final de 2023, ficou em torno de 47% em 2024 e atingiu 48% em 2025.
A proporção de gestantes com realização de exames para sífilis e HIV passou de 16% para 44% entre 2023 e 2024, chegando a 67% em 2025, e a proporção de gestantes que receberam atendimento odontológico passou de 7% para 53% entre 2023 e 2024, atingindo 68% em 2025.
A evolução destes índices fez com que Cubatão assumisse a primeira posição no ranking ao longo de 2024 e, mais importante, contribuiu para a redução dos índices de mortalidade infantil.
Em matéria de infraestrutura, houve aumento do número de profissionais com ampliação do número de equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), distribuídas entre as 18 unidades de Saúde do município, e a formação de equipes multidisciplinares, formado por ginecologistas, pediatras, além de outros especialistas e técnicos com a função de dar apoio e orientar as equipes. A Secretaria de Saúde conta com quatro equipes multiprofissionais-eMulti na Atenção Primária à Saúde.
Infraestrutura – Esses resultados foram alcançados devido à implantação de um plano que foi apresentado em março de 2023 à Diretoria Regional de Saúde, que previa: prioridade de exames para gestantes, agenda exclusiva de ultrassom e reserva de vagas; prioridade de compra de equipamentos para pré-natal, puerpério e pediatria; reunião de equipe multidisciplinar sobre todos os casos de gestantes, puérperas e crianças menores de 1 ano e organização das informações para definição de estratégias; e identificação de casos de alerta e acesso rápido aos prontuários de crianças até 1 ano.
E mais – atualização da carteira de vacinação de crianças menores de 2 anos; implementação do livro da gestante e de crianças até 1 ano; alta da maternidade com consultas já agendadas para a mãe e o bebê; monitoramento de todos os atendimentos a gestantes e crianças nos serviços de emergência e especialidades; capacitação constante das equipes; retomada da notificação compulsória de Sífilis em gestantes e discussão dos casos.
As ações envolvem um trabalho em conjunto entre as equipes da Estratégia de Saúde à Família e Atenção Primária, Serviço de Atenção Integral à Saúde da Mulher (SAISM), Vigilância à Saúde, Serviço de Vigilância Epidemiológica e Serviço de Especialidades Pediátricas, além do apoio de outros setores e a participação de pesquisadores e professores da Faculdade de Medicina da Universidade São Judas.
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Por: Secom Cubatão/AA
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