Racismo institucional é tema de conversa na Saúde

Doenças infecciosas afetam população negra com mais intensidade
 
Com menor acesso à Saúde Pública mesmo após mais de um século da abolição da escravidão, a população negra brasileira registra índices de infecções e doenças maiores que o da população branca. Para discutir essa questão com profissionais da Saúde do município, o Departamento de Vigilância à Saúde de Cubatão promove em 21 de novembro a mesa-redonda “Racismo institucional, IST/AIDS e a Saúde da População Negra”, das 13 às 17 horas, no auditório da Câmara Municial, na Praça dos Emancipadores, s/nº.
As incrições são gratuitas e devem ser feitas pelo email progdstaidscubatao2012@hotmail.com.
Com apresentação do Grupo de Dança Afro de São Vicente, o bate-papo terá como convidados Arimar Lisboa, médico gastroenterologista e professor da Unimes, Debora Camile Guimarães, psicóloga com passagem pelo Núcleo de Psicólogos Negros e Negras de Santa Catarina, e Letícia da Silva Moura, psicóloga da Secretaria de Saúde de Cubatão, mestranda em Ciências da Saúde e integrante do Núcleo de Psicologia e Relações Raciais do Conselho Regional de Psicologia.
Segundo o Ministério da Saúde, 55% dos casos registrados de Aids em 2016 ocorreram em pessoas negras e 43,9% em brancas. Naquele ano, conforme o IBGE, a população branca representava 44,2% e a soma de negros e pardos (terminologia do instituto) era de 53,3%. A diferença aumenta se forem registrados os óbitos causados pela doença: negros (58,7%), brancos (40,9%). No mesmo ano, 38,5% das notificações de sífilis adquirida ocorreram entre pessoas brancas e 42,4% em negras. Das mulheres gestantes diagnosticadas com sífilis, 59,8% eram negras e 30,6% brancas.
Em relação à raça/cor das mães das crianças com sífilis congênita, as negras foram mais que o dobro (65,1%) das brancas (25,0%). A hanseníase, doença infecciosa causada por bactéria cuja transmissão está relacionada a condições precárias de moradia e higiene, em 2014, teve 31.064 casos notificados, mais de dois terços (21.554) entre a população negra. Nos registros de tuberculose, no mesmo ano, 57,5% das pessoas que apresentaram a doença eram negras.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (2015), das pessoas que já se sentiram discriminadas nos serviços, por médicos ou outros profissionais de saúde, 13,6% destacam o viés racial da discriminação.
“Quando consideramos quaisquer indicadores sociais (saúde, educação, moradia, segurança pública), a população negra está sempre em desvantagem, quando comparada à branca, apresentando as piores condições de vida e maior exposição a riscos de contaminação e transmissão do HIV, justificando-se os motivos pelos quais necessitam ações especificas e intervenções em saúde”, comenta a coordenadora do Programa IST/AIDS de Cubatão, Deise de Souza.
Ela conta que o combate ao racismo institucional é uma das metas do Programa Nacional de IST/Aids, promovendo assim o acesso à população de forma justa e igualitária. “O acesso à saúde é um direito para todos e todas, entretanto o racismo opera de forma estrutural e estruturante das relações sociais, afetando a saúde e impedido o acesso das populações mais vulneráveis aos benefícios garantidos pelo Estado”.

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