Tráfico de mulheres com viés histórico é destaque em palestra no sábado (27)

Além do debate, haverá visita monitorada no “Cemitério das Polacas”, o Cemitério Israelita

 
Neste sábado (27), a partir das 13h, uma palestra vai tratar sobre o tráfico internacional de mulheres, porém com um viés histórico: o caso das mulheres vindas do leste europeu no século passado, judia na grande maioria, que foram traficadas e prostituídas. Algumas delas estão enterradas no Cemitério Israelita que fica anexo ao Cemitério Municipal de Cubatão.
Após a palestra, os participantes seguem em caravana até o Cemitério Israelita, onde poderão conhecer essa história “in loco”. A palestra é realizada pelo Conselho Municipal da Condição Feminina com apoio da Comissão da Mulher Advogada da OAB-Cubatão, Grupo Soroptmist de Cubatão e Promotoras Legais Populares- PLP.
O bate-papo acontece no Centro de Referência da Mulher (Rua Salgado Filho, 227), no Jardim Costa e Silva e tem entrada gratuita. Para falar sobre o assunto participam a mestre em direito internacional Verônica Teresi e o historiador Welington Borges. O objetivo é tratar sobre o tema não apenas como um olhar curioso sobre o assunto – por conta do chamado “Cemitério das Polacas”, mas, sobretudo, sobre a questão da violência contra a mulher; já essas pessoas foram retiradas de suas casas com a promessa de emprego e, chegando ao Brasil, foram praticamente escravizadas pela prostituição.
O jornalista Alberto Dines em seus estudos e traduções lembrava que as “curves” (prostitutas em iídiche) eram consideradas impuras, marginalizadas e “abriram seus próprios cemitérios, rezaram em sinagogas próprias e congregaram-se em sociedade de assistência mútua”. E sintetizava: “Viveram e morreram judias. Mais do que esquecidas, expiaram. Abolidas, perpetuaram-se Eternas Polacas”.
A palestra discursa sobre o recorte histórico do acontecimento, porém traz uma visão crítica sobre o assunto e de que maneira o tráfico internacional de mulheres ainda acontece na atualidade. Verônica Teresi tem experiência na área acadêmica com ênfase em Direitos Humanos atuando, principalmente, sobre cooperação internacional para os Direitos Humanos, migração internacional, gênero, exploração sexual, tráfico internacional de pessoas, tráfico internacional de mulheres, vulnerabilidade regional e rede de atenção às vítimas do tráfico de pessoas. Desenvolveu ampla pesquisa sobre o tráfico de mulheres brasileiras com fins de exploração sexual na Espanha.
Sobre as “polacas” – As portas do Cemitério Israelita, que passou para a história do Brasil como o “Cemitério das Polacas de Cubatão”, foram  reabertas à visitação no fim de abril deste ano, após ser totalmente restaurado pela Associação Israelita de São Paulo – Chevra Kadisha, em convênio com a Prefeitura. Atenção especial foi dada à recuperação das 69 lápides onde estão enterrados os corpos de 54 mulheres e de 15 homens. Do total apenas seis corpos, pressumivelmente de mulheres devido à localização.
Fundado por volta de 1924 na área onde hoje está localizada a Refinaria Presidente Bernardes para receber “as polacas” – como eram conhecidas as prostitutas judias que vinham do leste europeu, trazidas por traficantes de mulheres nos fins do século XIX e início do XX, – o cemitério foi transferido para um terreno isolado ao lado do atual Cemitério Municipal de Cubatão. O último sepultamento foi em 1966.
Foto:  Marcus Cabaleiro (Cemitério Israelita de Cubatão – arquivo)

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