A Secretaria de Saúde de Cubatão tem realizado mais de 500 consultas médicas por teleatendimentos por mês. Iniciado em dezembro de 2023, o uso da tecnologia para reunir médicos e pacientes tem o objetivo de garantir à população acesso a profissionais das especialidades gastrologia, reumatologia, urologia, dermatologia, endocrinologia e neurologia.
A média mensal de teleconsultas atualmente é de 538, maior parte de gastrologia (142 consultas por mês em média), seguida por endocrinologia (97), dermatologia (93), neurologia (91), urologia (90) e reumatologia (25). O teleatendimento é realizado em uma sala preparada especialmente para a consulta remota no Centro Integrado de Saúde (CIS), a Policlínica.
Essas especialidades foram escolhidas pela conjugação de dois fatores. De um lado, atendem a demandas comuns dos pacientes e, por outro, contornam a escassez de profissionais dessas áreas em todo o Brasil. Conforme o levantamento “Demografia Médica 2025”, do Ministério da Saúde, entre as 55 especialidades regulamentadas no Brasil, sete delas concentram 50,6% dos profissionais: Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia Geral, Ginecologia e Obstetrícia, Ortopedia e Traumatologia, Anestesiologia e Cardiologia.
Ainda de acordo com esse documento, dos mais de 597 mil médicos registrados no Brasil em dezembro de 2024, 59,1% eram especialistas, índice abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 62,9%.
Em artigo publicado em fevereiro deste ano, o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) e professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Antonio José Gonçalves, aponta alguns problemas da falta de especialistas: “Filas extensas para consultas e procedimentos especializados atrasam diagnósticos, comprometem tratamentos e aumentam a gravidade de doenças que poderiam ser controladas com intervenção adequada. O custo dessa falha recai sobre todo o sistema de saúde, mas principalmente sobre o paciente, que enfrenta um atendimento cada vez mais tardio, desigual e inseguro”.
A secretária de Saúde de Cubatão, Joyciene Montes, afirma que o objetivo do teleatendimento é evitar essa situação, garantindo ao paciente tratamento adequado e a tempo. Ela anuncia que já há estudos para ampliar o atendimento de telemedicina para as unidades de Saúde nos bairros e também para o Pronto-Socorro Central. “A consulta remota reduz o tempo de espera para consultas em especialidades comuns, mas que devido ao contexto nacional são difíceis de garantir de forma presencial”.
Um exemplo é Maria José da Silva, de 70 anos, que estava no Centro Integrado de Saúde (CIS), na Policlínica, na terça-feira (19), para sua consulta de gastrologia com uma médica em Minas Gerais. Ela já havia passado pelo teleatendimento em endocrinologia e em 10 dias conseguiu a vaga na “gastro”. “Essa coisa técnica é novidade, mas tem a ajuda”.
Vera Lúcia dos Santos, que também aguardava a consulta de gastrologia, disse que já havia passado pelo teleatendimento em dermatolgoia e que estava na segunda consulta de gastrologia. “A parte técnica é muito boa, dá pra ouvir tudo direitinho, é como se fosse uma consulta normal”.
As duas pacientes elogiaram o apoio da técnica de enfermagem Daiane de Lima Silvério, responsável por auxiliar a comunicação entre médico e paciente. “O apoio da técnica de enfermagem é nota 10”, cravou Vera Lúcia.
Como funciona – As consultas de especialidades por teleatendimento ocorrem como as consultas presenciais. Os pacientes são encaminhados após passar pelo médico de família ou clínico geral das unidades de Saúde, a porta de entrada do SUS. As consultas são realizadas em uma sala própria, a 17, por meio de um computador e equipamentos adequados para a atividade.
Todos os pedidos médicos, como exames, receitas e encaminhamentos, são realizados diretamente pelo sistema. Após a consulta, a técnica de enfermagem imprime os documentos, entrega aos pacientes e dá as orientações finais. “Para mim, é algo novo, uma experiência diferente que requer cuidado e atenção e ajuda na interação entre o médico e paciente”, comenta Daiane.
Sugestão de Leitura:
A escassez de especialistas deixou de ser um simples sinal de alerta, artigo de Antonio José Gonçalves, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) e professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Demografia Médica 2025, Ministério da Saúde, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Associação Médica Brasileira.
Por: Secom Cubatão – SMS/AA
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