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Cubatão cria projeto inédito que une Saúde da Família e Defesa Civil no enfrentamento das crises climáticas

Projeto piloto integra Atenção Primária e Defesa Civil no monitoramento de áreas vulneráveis e no cuidado com a população exposta a alagamentos e deslizamentos
  • 8 min de leitura

A Prefeitura de Cubatão deu mais um passo no fortalecimento das ações de prevenção e adaptação às mudanças climáticas com o lançamento do projeto “Integração entre Saúde, Território e Emergências Climáticas”, iniciativa inédita na Baixada Santista que une a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMPDEC) e a Atenção Primária à Saúde para atuação conjunta em áreas de risco do município.

Nesta quinta-feira (21), uma reunião realizada na Unidade de Saúde da Família (USF) Pilões reuniu membros da Defesa Civil, a equipe de atendimento domiciliar da unidade e a Coordenação do ‘Programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade’ para discutir possíveis soluções para as crises climáticas enfrentadas pelo bairro Pilões e os impactos provocados pelas enchentes no município.

Durante o encontro, foram debatidas as ações do projeto “Integração entre Saúde, Território e Crises Climáticas”, além dos impactos das enchentes e desapropriações na saúde mental e física dos moradores da região. Também foram abordadas as consequências deixadas por grandes alagamentos, como a registrada em 2013, considerada uma das mais marcantes da história recente da cidade. O projeto terá como foco o cuidado preventivo da saúde da população que vive em áreas vulneráveis, promovendo ações voltadas à prevenção de riscos ambientais, adaptação às emergências climáticas e fortalecimento do acompanhamento territorial das famílias.

Entre as primeiras medidas previstas está o levantamento detalhado do número de moradores nas microáreas atendidas pelas equipes de saúde. A iniciativa nasceu a partir de discussões realizadas durante a Conferência Municipal dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e busca aproximar dois setores que tradicionalmente atuam nos mesmos territórios, mas de forma separada.

A médica Dra. Harumi Fugishima, uma das idealizadoras do projeto, explicou que a proposta surgiu da necessidade de integrar saúde e meio ambiente no cotidiano das comunidades vulneráveis. “Sempre tive um olhar muito voltado para a questão ambiental. Quando atuei no Pilões, durante a residência, percebia claramente como as questões climáticas impactavam diretamente a saúde da população. Já existia essa vontade de aproximar a saúde das ações da Defesa Civil, envolvendo agentes comunitários e equipes do ‘Programa Saúde da Família’ no reconhecimento do território e dos riscos existentes”, afirmou.

Segundo Harumi, a relação entre meio ambiente e saúde se manifesta diariamente nos atendimentos realizados nas áreas de risco. “Durante os períodos de chuva, aumentam os casos relacionados às doenças de veiculação hídrica, além da preocupação com leptospirose, dengue e outros agravos. A prevenção precisa acontecer antes das chuvas, com orientação tanto para a população quanto para os profissionais de saúde”, destacou a Dra.

A coordenadora da Defesa Civil de Cubatão, Cristina Candido, ressaltou que o projeto representa a realização de uma ideia construída coletivamente e alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. “Esse projeto nasceu de uma conversa durante a conferência municipal dos ODS e foi ganhando forma a partir dessa integração entre Saúde e Defesa Civil. Era um sonho antigo conseguir aproximar essas áreas de maneira prática. A gente acredita muito que essa iniciativa vai dar certo porque ela fortalece o cuidado com as pessoas e com o território”, afirmou a coordenadora.

Cristina também destacou que a integração entre as equipes amplia a capacidade de prevenção do município. “O período entre dezembro e março é historicamente o de maior ocorrência de fortes chuvas. Ao longo do ano, a Defesa Civil realiza vistorias preventivas em locais que geram preocupação, trabalho que é intensificado durante o período chuvoso. A aproximação com a Saúde fortalece ainda mais a capacidade de prevenção e de cuidado com a população”, explicou.

O médico da Família, Dr. Walter Titz, ressaltou a importância do treinamento das equipes de saúde para ampliar a percepção sobre os riscos ambientais presentes no território. “Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) estão diariamente dentro das comunidades e têm um papel fundamental na identificação precoce de situações que podem gerar riscos à saúde coletiva. Com capacitação adequada, eles passam a perceber sinais ambientais importantes, como contaminações, acúmulo de água, áreas com umidade excessiva, descarte irregular de resíduos e outras situações que podem favorecer doenças e agravos”.

Ainda segundo Dr. Walter, o fortalecimento desse olhar territorial permite uma atuação mais preventiva e integrada entre Saúde e Defesa Civil. “A proposta é justamente ampliar essa percepção das equipes para que elas consigam agir antes que os problemas se agravem. O território fala o tempo inteiro, e os profissionais da Saúde da Família têm uma capacidade muito grande de identificar essas mudanças quando estão preparados para isso”, afirmou.

O encontro contou ainda com a participação das médicas das unidades Básicas de Saúde da Família da Água Fria/Ilha Caraguatá, Gabriela Gomide, Cintia Amatti, Mariana Modolo e a gerente da Unidade de Pilões, Marcilene Amorim.

Pilões e Água Fria: territórios marcados pela vulnerabilidade – A escolha do bairro Pilões para o início do projeto não foi aleatória. A região integra uma das principais áreas monitoradas pela Defesa Civil em Cubatão devido ao histórico de inundações, alagamentos e deslizamentos de terra. Além do Pilões, o município acompanha permanentemente áreas consideradas de risco como Água Fria, Cota 95 e Cota 200; Mantiqueira; Vale Verde; Ilha Caraguatá; Vila São José e Jardim Costa e Silva.

Durante períodos de chuvas intensas, o Rio Pilões já invadiu dezenas de residências, obrigando famílias a se abrigarem temporariamente em igrejas e centros comunitários. Registros da Defesa Civil também apontam ocorrências recorrentes de deslizamentos no Caminho dos Pilões.

As discussões realizadas durante a vistoria reforçaram ainda os impactos sociais e de saúde causados pelas mudanças climáticas e pelas condições de moradia em áreas de risco. Profissionais relataram casos de sofrimento emocional recorrente em moradores que vivenciaram grandes enchentes, especialmente a inundação histórica de 2013.

Segundo relatos compartilhados pela equipe da saúde, alguns moradores deixam o bairro nos meses de maior incidência de chuvas por medo de novas tragédias. Também foram discutidos problemas respiratórios associados à umidade e ao mofo nas residências atingidas por enchentes, além das dificuldades de acesso para atendimento médico em áreas vulneráveis.

Um dos casos mencionados durante a reunião foi o de um paciente com câncer de pulmão que precisou ser carregado até um ponto acessível porque o SAMU não conseguiu chegar até a residência em razão das condições do local. Outro tema debatido foi a situação das famílias da Água Fria, região que passa por processo de desocupação gradual devido aos riscos geológicos. Profissionais destacaram os impactos sociais da remoção das famílias, incluindo dificuldades de adaptação, deslocamento escolar de crianças e abandono de animais domésticos.

Prevenção como política pública permanente – A expectativa das equipes envolvidas é que o projeto piloto se transforme em política pública permanente e seja expandido para outras unidades de saúde do município. Além da integração com a Saúde, Cubatão já mantém ações contínuas de prevenção por meio do ‘Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC)’ e do ‘Plano de Contingência da Serra do Mar para o Polo Industrial de Cubatão (PCSMPIC)’, que operam em quatro níveis: observação, atenção, alerta e alerta máximo.

O monitoramento é realizado 24 horas por dia com acompanhamento pluviométrico, previsão meteorológica e vistorias técnicas de campo. A população também pode receber alertas preventivos via SMS cadastrando o CEP no número 40199. Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelos telefones 199 ou (13) 3361-6177.

De acordo com os organizadores e demais profissionais envolvidos, o novo projeto reforça a visão de que a prevenção de desastres vai além do monitoramento técnico e depende também da construção de vínculos entre território, comunidade e poder público.

 

Por: Secom Cubatão/ JMA

Fotos: Secom Cubatão/IL

 

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