A cada quatro consultas marcadas no SUS em todo o Brasil, uma não é realizada porque o paciente não compareceu. Essa marca de 25% pode variar por região do país ou especialidade médica, entre 20% e 30%, e tem se mostrado uma constante histórica, inclusive próxima à média de abstenções na América do Sul (27,8%) e em todo o mundo (23%).
A situação não é diferente em Cubatão. Em levantamento realizado a partir de informações de janeiro a junho de 2026, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) detectou uma abstenção de 24,20%. Nesse período, 133.697 consultas foram agendadas, com 32.357 faltas. Os números representam consultas agendadas nas 18 unidades de Saúde e nos serviços de especialidades. Em relação a exames, a média de abstenção no semestre foi de 18,07%.
a Prefeitura de Cubatão vai iniciar uma campanha de conscientização com o objetivo de reduzir esse índice, com materiais informativos para as unidades de Saúde, redes sociais, promovendo a Educação em Saúde. “Apesar de ser uma constante histórica, não vamos deixar de nos preocupar com essa situação. Fazemos um apelo à população para que, em caso de não poder comparecer a uma consulta, avise a unidade de Saúde com antecedência para que outra pessoa possa ser agendada e atendida a tempo”, comenta a secretária de Saúde, Joyce Montes.
Reflexo direto e as possíveis causas – As faltas em consultas agendadas e coletas de exames impactam diretamente o acesso da população aos serviços ofertados, considerando a demanda reprimida existente. Além disso, o absenteísmo contribui para o aumento das reclamações relacionadas à demora nos agendamentos e compromete a organização e a eficiência do serviço.
Estudos identificam causas de caráter sociocultural, geográfico e econômico que levam ao absenteísmo do usuário, entre as quais esquecimento, falha na comunicação entre serviço de saúde e usuário, melhora do quadro clínico, agendamento em horário de trabalho, dificuldade de transporte, não liberação do trabalho ou horário não compatível para o atendimento, não ter com quem deixar as crianças ou pessoa doente, usuário doente no dia agendado e não dispor de recursos financeiros para custeio da alimentação e/ou transporte até o local da consulta, entre outros fatores.
Entre as consequências, o absenteísmo prejudica o próprio paciente, que atrasa o início ou a continuidade de seu tratamento, mas também gera prejuízo ao serviço público, tanto de recursos econômicos, como a mobilização de profissionais e insumos, como o aumento da fila de espera, insatisfação em relação ao serviço de saúde e, por falta de tratamento na Atenção Primária, aumento de procura pelos Serviços de Urgência e Emergência do município.
Variação – Nos seis primeiros meses de 2026, a abstenção manteve-se com pouca variação, sendo a mais baixa em fevereiro (22,02%) e a mais alta em maio (25,59%). Confira o número de agendamentos, faltas e o percentual mês a mês:
Janeiro
22.919 agendamentos
5.046 abstenções
Percentual 22,02%
Fevereiro
19.107
4.604
Percentual 24,10%
Março
26.447
6.430
Percentual 24,32%
Abril
19.283
4.788
Percentual 24,83%
Maio
23.111
5.915
Percentual 25,59%
Junho
22.830
5.574
Percentual 24,42%
Fonte para informações referentes aos dados nacionais e internacionais:
Por: Secom Cubatão-SMS/AA
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