Na Unidade Municipal de Ensino (UME) Dom Pedro I, na Vila Natal, os 6,6 alcançados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 “é mais do que um número. É o reflexo de uma trajetória construída diariamente por professores, equipe gestora, alunos e famílias. Uma escolha estabelecida anos atrás: transformar o ensino integral em uma experiência de formação que ampliasse não só o tempo de permanência na escola, mas também as possibilidades de aprendizado”, enfatiza a Secretária Municipal de Educação (Seduc) de Cubatão, Danielle Souza.
O Ideb, do Governo Federal, combina indicadores de fluxo escolar e desempenho dos estudantes. O resultado foi divulgado este mês pelo Ministério da Educação e mostrou que a unidade ultrapassou a meta de 6,3, além de registrar o aumento de um ponto em relação ao índice de 2025, que foi de 5,6. Para a Seduc, “embora a diferença de um ponto possa parecer pequena à primeira vista, o resultado ganha relevância quando considerado que a evolução do Ideb costuma ocorrer em décimos. Além disso, a nota alcançada pela unidade ficou acima da média nacional, que, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), foi de 6 nos anos iniciais do ensino fundamental”, complementa a Secretária.
Na UME Dom Pedro I, entretanto, o objetivo nunca foi alcançar um determinado número. “Nós tínhamos muito mais do que uma meta. Tínhamos o sonho de nos tornarmos uma referência, com foco na qualidade do ensino, na motivação de cada aluno e de cada profissional que trabalha aqui. O resultado do Ideb veio como uma consequência de todo esse trabalho. Isso mostra que estamos no caminho certo”, comemoram a diretora Denize Queiroz Jorge e a coordenadora pedagógica Magali Aparecida Pereira.
Mais tempo de qualidade na escola – a mudança para o período integral ocorreu em 2023 na UME Dom Pedro. A proposta já vinha sendo estudada pela equipe gestora, que conhece profundamente a escola e o território onde ela está inserida. A escola tem 360 alunos, do primeiro ao quinto ano. E à noite, atende o Ensino de Jovens e Adultos (EJA). A ampliação da jornada respondia a uma demanda concreta da comunidade. “Muitas famílias, especialmente mães solo, precisam trabalhar durante todo o dia e necessitam de um espaço seguro e acolhedor para seus filhos. Mas atender a essa necessidade significa ir além de prolongar o horário escolar”, frisa Denize.
Antes de implantar o ensino integral, as gestoras chegaram a visitar uma escola da rede municipal na periferia de São Paulo para conhecer uma experiência que pudesse inspirar a construção do projeto em Cubatão. A intenção, entretanto, nunca foi reproduzir um modelo pronto, mas observar possibilidades e adaptá-las à realidade da Dom Pedro I. Portanto, a implantação do período integral já foi pensada com uma dinâmica diferente, fora do padrão, reorganizando toda a lógica da jornada. Língua portuguesa, história e geografia são trabalhadas pela manhã. À tarde, matemática e ciências. No projeto político-pedagógico (PPP), a distribuição foi pensada para equilibrar a rotina e garantir que os componentes com maior carga horária não ficassem concentradas em um mesmo período.
A organização também contempla a descentralização de alguns componentes curriculares, com professores dedicados a áreas específicas de aprendizagem. Em língua portuguesa, por exemplo, três professoras atuam de forma especializada: uma com interpretação de texto, outra com fluência leitora e outra com produção textual. “A ideia é que o estudante não tenha apenas mais aulas dessa disciplina, mas experiências pedagógicas distintas, planejadas para desenvolver competências específicas de leitura, compreensão e escrita”, reforça a direção da Escola.
Já as atividades extras foram pensadas também de maneira estratégica, sempre atendendo aos requisitos Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas também levando em consideração a necessidade local. “Não queríamos apenas inserir atividades extracurriculares de maneira aleatória ou previsível”, explica a diretora. Artes e educação física estão presentes nos dois períodos, com propostas diferentes para cada turno. Eles também têm aulas de inglês e de dança.
Há ainda o projeto Vivências, organizado a partir de eixos temáticos que aproximam o conteúdo escolar de questões culturais, científicas, sociais e de cidadania: formação do povo brasileiro; espaço e meio ambiente; responsabilidade social; história de Cubatão e as transformações pelas quais a cidade passou. A proposta é fazer com que o aluno compreenda o mundo em que vive e também o lugar que ocupa nele, especialmente no território em que mora. Por isso, eles também têm aulas de literatura, meio ambiente, educação antirracista, por exemplo. A educação especial também integra essa perspectiva: os estudantes que necessitam de atendimento específico permanecem incluídos nas salas regulares e contam ainda com atendimento individualizado, de acordo com suas necessidades.
A Unidade conta ainda com a parceria da Usiminas, por meio do projeto Escola Parceira, com cursos de danças brasileiras, papel marchê e educomunicação. Até mesmo os momentos de pausa fazem parte do planejamento. Os alunos têm ao menos cinco refeições balanceadas por dia, além de intervalos e tempo destinado às brincadeiras.
Salas temáticas e Comunidade engajada – Outro diferencial da escola são as salas temáticas. Os estudantes circulam por diferentes ambientes, como as salas de artes, de educação antirracista, de leitura, entre outras. Cada espaço é organizado para favorecer uma experiência específica de aprendizagem. Na sala de leitura, por exemplo, o ambiente foi pensado para aproximar as crianças dos livros. Entre almofadas, objetivos decorativos e livros cuidadosamente organizados na estante, ali são promovidas rodas de leitura e momentos semanais de escolha de obras. O trabalho é acompanhado por uma professora dedicada exclusivamente às atividades relacionadas à leitura.
No próximo ano, a unidade também deverá contar com uma sala de informática, ampliando as possibilidades pedagógicas oferecidas aos estudantes. A escola procura manter uma relação de proximidade com o entorno. As reuniões com as famílias, por exemplo, não se limitam à apresentação de notas e resultados. “São realizadas reuniões formativas, nas quais cada encontro aborda um tema relacionado à formação e ao cotidiano das crianças, como alimentação saudável, uso de telas e qualidade do sono”, explicou Magali.
VI Noite da Família com a Escola – Nesta sexta-feira (28), a escola promove a VI Noite da Família com a Escola, com 17 oficinas e atividades voltadas à convivência, cultura, cidadania e desenvolvimento de habilidades. A programação inclui literatura de cordel, jogos de convivência familiar, tranças, forró, capoeira, jogos teatrais, atividades antirracistas, crochê, educação para a economia e experiências sociais, entre outras opções. Também haverá serviços como corte de cabelo e manicure.
A transformação da Dom Pedro I passa por uma característica que a equipe gestora considera fundamental: o engajamento coletivo. “Esse envolvimento é muito importante. Trabalhamos para que exista esse sentimento, essa união, valorizando a atuação de cada um, incluindo a dos alunos”, comentou a coordenadora.
“O resultado é consequência de cada trabalho desenvolvido: na forma de organizar o tempo, nos espaços criados para aprender, nos livros escolhidos, nos temas discutidos, na valorização do brincar, na participação das famílias, no olhar para o território e, sobretudo, no compromisso de cada profissional com a formação dos estudantes. E somos apaixonados pelo que fazemos”, concluem as gestoras.
Texto e fotos: Secom Cubatão/MA




























